Giridharadas: países emergentes precisam inovar para atender suas próprias demandas
"Muito se ouve que o Brasil é o País do futuro, mas acredito que o futuro já chegou, estamos no País do presente, assim como outros emergentes". A declaração é do norte-americano descendente de indianos, Anand Giridharadas, jornalista e colunista do jornal The New York Times, na abertura da plenária Inovação: Transformação de um mundo emergente, no 4º Congresso Internacional de Inovação, promovido pelo Sistema FIERGS. Ele lembra que essas nações estão assumindo cada vez mais uma posição central na economia mundial, mas questiona se as regiões em desenvolvimento estão prontas para assumir esse novo papel no cenário mundial. "Eu diria que não estão preparados em algumas áreas, como no campo da inovação", responde. Giridharadas defende que em vez de reproduzir como padrão aquilo que é feito nos países ditos ricos, os territórios em desenvolvimento precisam reconhecer suas próprias características e necessidades para inovar. "O que é mais importante para o Brasil, por exemplo, criar um novo mecanismo nos moldes do iPad, ou uma cirurgia cardíaca que custe US$ 100? O iPad não muda a vida das pessoas de forma fundamental. Precisamos compreender as reais demandas dos nossos países", afirma.
Um dos exemplos de inovação de emergentes citados por Giridharadas é o carro Nano, criado pela Tata Motors, da Índia, que conseguiu eliminar itens supérfluos e valorizar a funcionalidade, desenvolvendo o automóvel mais barato do mundo, que custa cerca de US$ 2,5 mil ? ou seja, adaptado às necessidades de países emergentes, bons produtos a baixos custos. Também comentou sobre a empresa Baba Job, que projetou um celular simples ? apenas faz ligações e envia SMS, e por meio do qual é possível procurar um emprego. O usuário envia uma mensagem com um pedido de emprego, que cai em um portal e os participantes têm acesso à informação. "Esses são apenas alguns exemplos. Os países do oriente não serão únicos na gerência das ideias. O Brasil tem lugar nessa nova economia", finaliza o jornalista.
O presidente da One Laptop per Child, o norte-americano Charles Kane, apresentou o case da entidade, que fornece computadores para melhorar a educação em países menos desenvolvidos por meio dos laptops XO, elaborado especialmente para esse fim. "Nossa ideia é tornar o ensino mais atrativo. Acreditamos que a educação é base da inovação, se não são estimulados, muitos cérebros se perdem", ressalta Kane. Ao todo, mais de 45 países já receberam computadores do projeto, em continentes como Ásia, África e América do Sul. Um deles é o Uruguai, onde 100% dos alunos desde o jardim de infância estudam por meio do XO. "Queremos parceiros para ampliar nossa atuação também no Brasil", informa.
Também foi apresentado o case da Neoprospecta, de Porto Alegre, da área de biotecnologia, em atividade há pouco mais de um ano, mas já vencedora dos prêmios Ibero-americano de Inovação e Empreendedorismo com o projeto "Prospecção Metagenômica da Biodiversidade Microbiana Brasileira" em 2011, e o Santander de Empreendedorismo em 2010, na categoria Biotecnologia e Saúde. A empresa foi representada pelo diretor, Marcos Oliveira de Carvalho.
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